terça-feira, 29 de janeiro de 2008

.na cama com o jardineiro

Pii pii. Por detrás de mim uma camioneta suja e velha, abriu a janela e olhou-me fixamente em todos os momentos lentos que a rua demorou a acabar. Senti-o olhar-me por detrás, pela frente. Olhou-me fixamente. Despiu-me com o olhar, deixando-me sem nada mais.
Não disse nada, não atirou piropos, não ofendeu o meu rabo, não falou. Olhou-me. Olhou-me.
Com os olhos tirou-me toda a roupa e tocou-me. Tocou-me (que nojo). Só com o olhar, tocou-me no seio, depois no outro, depois no umbigo, depois voltou ao seio e depois desceu. Olhou-me fixamente naquele momento que a rua demorou a acabar.
Fingi que estava ocupada a procurar uns trocos na carteira, fingi que estava vestida, fingi que não me estava a olhar fixamente.
Pii pii. Apitou, fui mulher e olhei directamente para a estrada com o objectivo de o mandar para o crlh* , olhei para onde a camioneta passava. O choque...
Olhos azuis, loiro gasto mas castanho claro e musculos saidos de quem faz pela vida. Camisola branca justa, de alças e sorriso colado na cara. Por volta dos 20 anos; a tinta velha de prédios que pintou, a relva de jardins que cortou pousados nos musculos dos ombros saidos e morenos.
Olhou-me nos olhos e despiu-me de novo. Ainda me lembro, ali perto da estação de comboios por detrás do banco e quando passava uma velhota a cheirar a naftalina mesmo ao meu lado. Ainda me lembro.
Sorriu-me eternamente enquanto a estrada não acabava, o semáforo avermelhou e sorriu-me enquanto os carros não andavam. Sorriu-me com o sorriso malandro de quem não me despiu, de quem é inocente. Desta vez olhou-me nos olhos, olhou-me na alma, nos problemas, nas paixões, na vida; olhou-me o cabelo castanho, o sinal no nariz, o meu sorriso timido. Olhou-me (que bom).
E de repente, a rua acabou e o sorriso dele desapareceu; e a tinta gasta nos ombros desapareceu; e a nudez desapareceu.

post scriptum: marco então o dia de hoje como o dia em que eu (mulher de pouco juizo) me apaixonei pelo jardineiro/homem das obras mais sexy que alguma vez vi.

6 comentários:

Ricardo Vitorino disse...

Muito bom texto. gosto da parte "olhou-me. olhou-me."

parabens xD

bjs

Eduardo disse...

grait pah véri uel

Eduardo Gonçalves disse...

gostei do texto

bjs**

Carina disse...

Obrigada pelo comentário, desejo muita força! :) Quando for uma boa médica em Espanha, hão-de querê-la cá em Portugal de certeza.

Boa sorte também com o jardineiro sexy! ;D

um alguém disse...

bolinha de sandro*

coisasqueEusei disse...

Hummmm isso fez lembrar o jardineiro de "Donas de casa deseperadas", um puro pecado!Agora levando para o lado "racional", gostei muito da expressividade do texto.

Parabens pelo blog!