quinta-feira, 15 de novembro de 2007

.funerais de almas

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No minimo que fazes,
Assim em cada lago a tua lua toda,
Brilha, porque alta vive.
Ricardo Reis - Ode
Cada vez mais se torna dificil ser inteira, ser completa. Sou cada vez menos, e cada vez consigo pôr menos no que sou...(morri). O minimo que faço nem o sei, o máximo esse... esse parece que nunca chega para nada. Nado aos circulos sem chegar a lado nenhum! (morri)
Parece que não sou boa o suficiente, isto ou aquilo suficiente (se calhar não sou mesmo)...não sirvo nem para o minimo quanto mais para os sonhos concretizar.
Sabem que mais? Morri! Enterrem-me e digam-lhe a ele que o amo do fundo do coração.
(morri)
(a respiração falha)
(finalmente deixei-me de não ser suficiente)
(morri)

domingo, 11 de novembro de 2007

.let's plugg in our bodys


Tens um poder electrificante em mim, qual carreirinha de electrões descontrolados que circulam dos teus poros para os meus. Sinto tua mão pousar no meu seio, e a corrente eléctrica atravessar-me o corpo; de uma voltagem tão alta que me matava de amor. Estremeci. Estrebuchei, nos teus braços, de prazer.

És o meu ânodo de deleite, fazes-me reduzir ao pó dos teus ossos e à simplicidade dos teus braços energéticos. De ti, recebo voltagem, recebo amor, recebo energia; sou eléctrica em ti, onde cada pedaço de pele te deseja e cada pêlo se levanta, eriçado e arrepiado, na tua direcção.
Já não saberia o que fazer sem a tua semi-célula de nós dois, onde me deixas despida de roupa e pudor, tremendo de frio no escuro, onde apenas tu me aqueces com o calor que me prometeste.


Com beijos tentas cobrir o próprio corpo nu que fizes-te de mim, momentos antes.

Pensas que desgosto esta constante reacção catódia-anódica que somos os dois?! Pois bem, enganas-te. É esta troca fixa de energias e intimidades que me mantêm viva, sou meia-morte quase zombie quando tu não estás aqui, teus choques eléctricos são a única coisa que ainda mantêm vivo o meu coração adormecido.

Pum pum…pum pum…

Sim… (gemido) Eu quero que voltes a pousar tua boca no meu umbigo, quero que embacies a pele como um vidro no Inverno, quero que me engulas a língua com a tua boca enquanto me prometes que vamos ser quimicamente compatíveis…pelo menos até ao final da noite!
p.s. é o que dá estar a pensar em ti, enquanto estudo quimica

sábado, 10 de novembro de 2007

Quando uma aliança se aproxima, o homem foge...

Já me tentei inteirar de todos os argumentos e mais algum para convencer o meu namorado a usar alianças de compromisso, mas parece que nada resulta.
Não resulta segurar a X-box fora da janela do terceiro andar, não resulta fazer greve de contacto físico e beijos ou qualquer coisa que implique ser namorados, não resulta ameaçá-lo de comer pêssegos (aos quais é extremamente alérgico), não resulta apontar perigosamente um martelo ao seu querido PC e muito menos resulta ter os seus queridos cd's de pink floyd a derreter em cima dos bicos do fogão...
Garanto-vos que isto é de por uma rapariga doida, porque realmente não compreendo que ataque epiléptico é que ele tem quando falo (ou apenas toco levemente) no assunto das alianças; barafusta, diz que não, e mais que não ainda e torce a cara toda (só falta espumar da boca).
Talvez os homens tenham algum tipo de dispositivo anti-compromisso-sério-que-envolva-mostrar-que-se-é-realmente-comprometido-usando-uma-aliança, instalado nas suas "caximónias" que fazem disparar uma série de clichet's já preparados por outros homens para evitar qualquer tipo de contacto entre as alianças e o dito cujo dedo (da mão direita claro que a coisa não é assim tão séria).
Este dispositivo deve permitir-lhes que assim que a palavra aliança entra num raio de 5km de proximidade, disparam:
1. Oh querida, mas nós não precisamos disso para provar o nosso amor
2. Que foleirisseeee!
3. Ohhh, eu tenho lá cara de gajo que usa aneizinhos (típica)
Enfim...comprometidos que andam por aí, tenho a certeza que muitos compreendem o meu problema.



p.s. agora no final deste texto ocorreu-me uma solução que talvez resulte, ameaçá-los que vamos deixar de fazer a depilação, arranjar o cabelo, usar o perfume (que os deixam loucos) e usar lingerie sexy...acho que isso já é capaz de convencer até os mais persistentes!

p.s.s o texto está mais uma vez extremamente generelizado para ser mais dramático, os homens que por ai andam que não se sintam insultados, que o insulto é unicamente para o meu namorado

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Droga? Nhec's, pêlo é que é d'Homem!

Quantos homens e rapazinhos não se tracam às escondidas da mãe na casa-de-banho, pegam na gilette corajosamente e rapam tudo o que restia de pêlo no corpo? Pois bem, hoje em dia, são cada vez mais. Claro está que ainda há os verdadeiros corajosos, que se atiram de cabeça às bandas de cera numa qual acção honrosa à dor das mulheres há já muitos anos com a depilação a cera.

É nas pernas, é no peito, é nas axilas, é um jeitinho nas sobrancelhas ( e para os corajosos, as virilhazinhas também). É a desculpa da natação profissional e de reduzir o artrito à água, é o futebol profissional e os cremes que têm de pôr nas pernas, é a desculpa do bronzeado e bom aspecto para a praia; enfim, há tantas desculpas para os homens fazerem a depilção como sitios onde fazê-la.

Não sou totalmente contra a depilção nos homens, eles têm tanto direito como nós (mulheres) de tirarem alguns pelinhos mais incomodos pelas razões e formas como muito bem entenderem. MAS vamos lá a ver se acentamos uma coisa extremamente importante!

Depilação não implica ficarem carequinhas como bébes, com peles mais limpas e macias que as nossas -.- Uma axila ou outra sem pêlos assim no verão quando faz calor, e aquilo com a transpiração não cai bem, e se fazem desportos profissionais ou para a praia, tudo bem; aí ainda passa. Agora qué feito dos peitos peludos onde nós (mulheres) podemos embaraçar os nossos dedos, ou das pernas perfeitamente e peludamente másculas?

Eu cá como mulher, só tenho a dizer que macacos não obrigado (esses podem ir tirar um pelinho ou outro); mas gosto cá dos homens ao natural, com pelinhos, barba e peitorais que é como devem ser.

Porque afinal, droga?? Naahh, pêlo é que é de homem!

p.s. peço desculpa a qualquer homem a quem fira a sensibilidade, é apenas uma opinião

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há...


Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.


Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá tudo bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?


O amor é uma coisa, a vida é outra!!!


O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. O amor é esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.


O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor.


O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não dá para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente.


O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

Miguel Sousa Tavares - Expresso



p.s. faço deste texto a minha bíblia, acredito nele piamente e sinto-me mesmo concretizada por aindaser das pessoas que têm um amor louco e desenfreado que a toda a hora me faz sorrir. Viva...viva o amor!